O ouro voltou a ser protagonista no mercado financeiro global. Após uma valorização superior a 60% em dólares ao longo de 2025 e novas máximas históricas acima de US$ 5.000 por onça troy, o metal precioso segue em forte tendência de alta também em 2026. Segundo relatório do BTG Pactual, o movimento não é apenas especulativo, mas sustentado por fatores estruturais de longo prazo.

O que está impulsionando a alta do ouro?

De acordo com o estudo, diversos fatores econômicos e geopolíticos vêm fortalecendo a demanda mundial pelo ouro.

Entre os principais destaques estão:

  • Crescente compra de ouro por bancos centrais;

  • Aumento da insegurança geopolítica global;

  • Endividamento recorde de grandes economias;

  • Busca de investidores por proteção patrimonial;

  • Inflação elevada em diversos países.

Os bancos centrais tiveram papel fundamental nesse movimento. Entre 2022 e 2025, acumularam volumes históricos de ouro, com compras anuais acima de 800 toneladas. Esse comportamento reflete uma estratégia global de redução da dependência do dólar e aumento da segurança das reservas internacionais.

Geopolítica fortalece o ouro

O relatório aponta que um dos grandes marcos dessa mudança ocorreu após o congelamento de aproximadamente US$ 300 bilhões em reservas russas pelo Ocidente em 2022. O episódio gerou preocupação internacional sobre a segurança de ativos mantidos em dólar ou custodiados em determinadas jurisdições.

Como consequência, diversos países passaram a aumentar significativamente sua participação em ouro físico nas reservas oficiais. A participação do metal nas reservas globais dos bancos centrais saltou de cerca de 13% em 2022 para aproximadamente 26% no fim de 2025.

Ouro como proteção contra crises e inflação

Historicamente, o ouro é visto como um ativo de proteção em períodos de instabilidade econômica. O relatório mostra que, em 9 das últimas 11 grandes crises financeiras, o ouro apresentou desempenho superior ao mercado de ações americano e aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Além disso, o metal também demonstra forte capacidade de preservar poder de compra durante períodos inflacionários. Segundo os dados analisados, quando a inflação americana superou 4% ao ano, o ouro teve desempenho consistentemente superior ao de ações e títulos de renda fixa.

 

Diversificação: o principal papel do ouro no portfólio

Outro ponto relevante destacado pelo estudo é a baixa correlação do ouro com outros ativos financeiros.

Na prática, isso significa que o ouro tende a se comportar de maneira diferente das bolsas de valores e da renda fixa, ajudando investidores a reduzir riscos e aumentar a estabilidade do patrimônio em momentos turbulentos.

Os estudos analisados apontam que uma alocação de aproximadamente 18% em ouro teria historicamente maximizado a relação entre risco e retorno de um portfólio diversificado. Ainda assim, exposições entre 5% e 35% continuaram eficientes ao longo das últimas décadas.

Formas de investir em ouro

Atualmente, existem diferentes maneiras de investir no metal precioso:

Ouro físico

A compra de barras, moedas e joias oferece posse direta do ativo, mas envolve custos de armazenamento, segurança e avaliação de autenticidade.

ETFs de ouro

Os ETFs permitem investir no metal pela bolsa de valores, tanto no Brasil quanto no exterior. Apesar da praticidade, possuem taxas de administração e custos operacionais.

Fundos de investimento

Os fundos oferecem gestão profissional, porém geralmente possuem taxas maiores e menor liquidez comparada aos ETFs.

Ouro tokenizado

Uma das tendências recentes do mercado é o ouro tokenizado, que combina lastro em ouro físico com negociação digital 24 horas por dia, liquidação instantânea e menores custos operacionais.

Perspectivas para os próximos anos

O cenário atual indica que o ouro deve continuar ocupando espaço relevante nas estratégias de proteção patrimonial e diversificação de investimentos. O aumento das tensões geopolíticas, os elevados níveis de dívida pública global e a busca por segurança financeira continuam sustentando a demanda pelo metal precioso.

Mais do que um ativo tradicional, o ouro vem reafirmando seu papel histórico como reserva de valor em momentos de incerteza econômica global.

Fonte:
Relatório “Ouro: Tese de investimento e alocação estratégica” – BTG Pactual Digital Assets Research – Fevereiro de 2026